16 maio 2007


Tropicalismos Luso
e outras Naturezas Mortas.
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A RitaGT vai ao PÊSSEGOpráSEMANA
de 18 de Maio a 03 de Junho
Inaugura dia 18 de Maio às 22h.
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Morada: Rua Antero de Quental nº 133, - Porto.
Fins-de semana: 22h às 24h,
Visitas por marcação: 917910031/ 966462312
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2 comentários:

art&tal disse...

óóóóó my dear

eu quase me esquecia de ti.

tenho andado no inferno para ver se me beatificam



ps: frilil. palavra fixe

Manuel Santos Maia disse...

Olá Nuno!!

Penso que já deves estar por terras lusas
BEM VINDO!!!!

Mas aproveito este espaço para partilhar
Para partilhar as minhas impressões, leituras, reflexões… sobre esta exposição que tu e a Isabel nos propõem visitar.
Ao contrário do que tem acontecido nas últimas Documentas, na ultima bienal de Sevilha, entre outros muitos eventos e mostras realizadas na Europa e um pouco por todo o mundo e muito nas Américas, na tua América (Califórnia) e em especial na “tua escola” com o Okwui Enwezor, o teu tutor e os outros artistas professores,
em Porto+gal não é comum ver no campo das artes plásticas, trabalhos que abordem a temática da identidade nacional, local, lusa, religiosa, cultural, etc.
A exposição da RitaGT, apresenta um conjunto de imagens fotográficas, apresentadas em caixa de luz, que nos permitem fazer múltiplas leituras.
São imagens simbólicas construídas sobre uma base cultural ocidental, de cariz popular e erudito que nos remete tanto para o nosso presente como para o passado, mais precisamente para os países baixos, no século XVII, quando surge o género da natureza morta, quando os bens materiais representavam e caracterizavam a pessoa que encomendava a imagem ao criador de imagens, o pintor. Imagens que caracterizava o seu poder económico, representava o seu estatuto social, e cultural e religioso num tempo de mudança de paradigmas religiosos e culturais.
Partindo desta referência ao género natureza-morta as imagens da RitaGT remetem-nos para a cultura popular portuguesa impregnada, formatada pela religião católica, remete-nos para uma cultura lusa que é o resultado de vários cruzamentos com outras culturas, como a africana, a brasileira, entre outras. (Sem que esqueçamos que a cultura brasileira, africana são não só o resultado do cruzamento com a cultura dos lusos mas também de trocas entre elas.)
O que vemos nas imagens da RitaGT é o híbrido, a mistura, o plural, o diverso.
Contudo,
não poderei reduzir as suas imagens ao género da natureza morta. O retrato, o auto-retrato, (ficcional ou não) é também convocado. A artista aparece entre os objectos representados. Ela é também uma das “coisa” do mundo de coisas representado. Ela é também um corpo caracterizado que nos remete para outras culturas ou padrões culturais. O autor é também a personagem representada e convoca com esta representação reflexões em torno do eu, do eu enquanto outro, do eu outro – as questões da alteridade tão pouco abordada entre nós. Ele autor /autora é um corpo entre corpos, uma coisa entre coisa que nos remete a uma reflexão sobre a cultura e existência material em que vivemos e convoca a tão hoje presente, enaltecida, muito querida, explorada, copiada Pop Arte.
Nas imagens da RitaGT poderemos ver ainda a referência ao multiculturalismo que por diversas razões tem sido pensado neste período de globalização económica que vivemos, sem que nos esqueçamos que o primeiro processo de globalização aconteceu com os descobrimentos, e onde nós, lusos, tivemos um papel que nos engrandece e que nos responsabiliza, ou deve responsabilizar pelo que veio no seguimento das delas, alguns séculos depois, mais precissamente no entre o século XIX e a primeira metade do século XX com a criação dos impérios europeus.
Nas imagens fotográficas iluminadas (caixas de luz) vemos o abacaxi, as bananas ao lado da romã, das rosas e outras flores, ao lado da torre dos clérigos, ao lado da Nossa Senhora de Fátima. Em termos de leitura das imagens fotográficas, esta exige-nos empreender uma leitura sobre cada coisa, (objecto, elemento da composição) como também deveremos empreender outras leituras resultantes das várias ligações que cada elemento estabelece com o outro, com os outros. O resultado será algo próximo a uma rede de reflexões.
Por exemplo a imagem da Nossa Senhora de Fátima remete-nos á expansão da religião cristã, ás muitas nossas senhoras que nós distribuímos por vários mundos e que são hoje padroeiras de regiões distantes – creio que os nossos emigrantes foram os últimos a espalhar a crença nesta santa, não só pelas Américas mas também por outras latitudes, por outros mares separados por outros oceanos, que não o atlântico.
São imagens muito pertinentes, interessantes, exigentes e impregnadas de humor.
São imagens que nos levam a pensar em (re)imaginar Portugal e hoje a Europa (pois a ela pertencemos sem que sejamos ainda europeus) na era da globalização. Pensar o futuro com conhecimento do passado, saber o que somos quem somos com conhecimento de onde viemos, e como (ainda) somos. Para o bem e para o mal…
Mas com estas imagens,
PARA O NOSSO MELHOR!!!
Vamos ter que pedir ao André e Mafalda para colocarem estas imagens no blog dos pêssegos.
Até
Maia