12 dezembro 2006

os outros


the others, first version

A public intervention

Powell BART Station (boarding platform; BART ticket required $1.40)

This Wednesday, 4:30/5:00 pm

Something unusual will happen

Keep your eyes open

...e foi com estas bonitas palavras que vendi o meu peixe. na proxima quarta, apresento o meu projecto final para a cadeira 'public interventions', cujo orientador e alfredo jaar, de quem ja aqui falei. depois coloco umas imagens do que acontecer; o trabalho em si aparece relacionado com um ritual quotidiano dos utentes do BART, o metro de s. francisco que liga a cidade a outros pontos da baia, como oakland e berkeley, e que tem uma historia interessante do ponto de vista de estrategia economica para a regiao.

o quotidiano dos utilizadores deste transporte observa principios de auto-disciplina, regulacao, e consequente ordem social que carregam consigo algumas interrogacoes, as quais nao procuro 'responder' mas tao somente sublinhar. este e um trabalho ancorado no quotidiano, e de que forma e que a imaginacao colectiva o constroi - ou o pode subverter.

10 comentários:

Anónimo disse...

Olá nuno!!
Gostei muito
depois quero ver mais imagens
Fico esperando por elas
Os temas que estas a trabalhar sã muito interessantes
Gosto do empenhamento social que lhe atribuis
E que detonam um reflexão critica política
Sabes
Desde que conheci o trabalho do teu orientador
Tentei acompanhar
Em Serralves há lá alguns livros e catálogos
Contudo já vi algumas peças dele
E a da Documenta foi a que mais me fascinou
Um rasgo

Vendo agora Tu e Ele
Esse trabalho tem qualquer coisa que se pode relacionar com o teu
Abraço forte
BOM TRABALHO

thedevilwerasbombazina disse...

e....lançar algumas pistas sobre essas interrogações, podes?
:)

merdinhas disse...

Volto com mais calma para ver.


Acontece-me vir aqui sem tempo e sem tempo só olho.

Nuno Ramalho disse...

e pronto, a minha primeira intervencao num espaco publico esta completa... contei com a colaboracao de mais oito paticipantes, numa performance que demorou meia-hora e da qual estou particularmente orgulhoso. mas isto e a quente.

quanto as pistas sugeridas por thedevilwearsbombazina (gosto mesmo do nome...), vou lancar algumas ideias muito soltas, nao e um discurso particularmente pensado, mas tambem nao vou pedir desculpas por isso ;-)

fundamentalmente, estou a tentar olhar para alguns tracos indeleveis que uma formacao cultural e determinado modo de pensar deixou em nos (quem faz parte deste 'nos'? quem esta excluido? porque e que e fundamental pertencer?) os quais apercebemos como naturais, e por isso nem damos por eles. sao silenciosos na nossa existencia, mas sao provavelmente as mais poderosas demonstracoes de pertenca social, de tecido colectivo.

interessa-me olhar para o que e o discurso da logica, a que e que esta ligado, porque e que a procura de uma linearidade e fundamental, tal como o sao as definicoes ideologicas, as condicoes do saber, toda uma procura social,cultural, politica que se tem por superior, o que e que isso sustenta e por quem e sustentado. o inferno e ver pessoas a queixarem-se da sua pobre vida (e ou nao e uma especie de passatempo nacional?) sem a consciencia de que para terem essa mesma vida mediocre arrastam outras pela miseria e ausencia de humanidade absolutas.

porque e que somos governados alternadamente por duas correntes politicas? porque e que os que "estao" no poder sao responsaveis, e os que os la poem nao?

somos sempre muito mais aptos a apontar o dedo e a criticar do que a edificar um discurso de possibilidade, mas concreto: porque? e ja agora, o que e que 'concreto' traduz?

porque e que as pessoas pensam que a utopia e um estado no futuro, no qual ha que ter esperanca? porque e que nao ha fe no presente e no que se pode fazer?

porque e que esse futuro e sempre o fabrico de uma sociedade harmoniosa, onde os problemas desapareceram? alguem tem memoria das condicoes humanas no passado que resultaram dessa perspectiva?

quais sao as novas plataformas relacionais em que as pessoas circulam? o que e que esta a fermentar outras possibilidades de discurso?

qual e o nosso problema com a diferenca? porque e que o que e diferente tem de ser corrigido com maior ou menor urgencia, com maior ou menor violencia implicita?

a quem e que serve dividir - em dois, um modelo binario onde toda uma civilizacao assenta - para reinar? ao estado, esse bicho-papao que afinal somos nos?



porque e que ordem, razao, logica sao iguais a seguranca? (porque e que ha quem tenha saudades do salazar?)

isto poderia seguir em frente, porque agora estou realmente a fervilhar de interrogacoes. quando tiver as imagens para colocar no 'sombra chinesa' sera facilmente perceptivel que o trabalho em si nao e uma ilustracao do que aqui escrevi, mas apenas o inicio de uma forma outra de pensar estas e outras questoes, que e o fundamental em fazer arte. acabo a parafrasear uma amiga, a daniela, e o seu projecto 'the ushers' (desculpem o entusiasmo):

FUCK LOVE - LET'S ART!

isabel disse...

Camarada Nunovsky,
Vejo que a Yankeeland te deixou ainda mais interrogativo. e nada melhor que uma boa pergunta para iniciar um projecto! destas que têm inúmeras respostas, para além das tradicionais propostas pelo poder político dicotómico (que não o é!) - e que é aí mais evidente.

Na procura por uma resposta (pensamento) está geralmente implícito a opção... (e nem todas as decisões são tão fáceis de tomar como o referendo sobre o aborto!). e depois de me deparar com opções mais pobres ou mais distantes que as expectativas, se quiser aprofundar a questão ainda tenho que coar a informação do infotainment - as minhas 'respostas/pensamento' aproxima-se assim, a uma intuição racional..
não tenho nenhuma para ti...

Entre a identidade e as identidades que falas no 'teu espaço' - faço uma achega com umas frases feitas :
- há uma que detesto particularmente. foi usada repetitivamente pelo matt mullican numa conferencia em serralves a propósito de arte nos anos 80 (e de tão detestável que é, que já a usei nuns trabalhos!):
"We become what we represent" !!! (representativa de si mesma)
lembrei-me de outra, mais próxima da história que o Nicolas te contou, do Prost:
- "a nossa personalidade social é uma criação do pensamento alheio"
(...)

fico à espera das imagens do teu trabalho (para poder continuar a 'conversa' sem me espalhar muito!), e de ti tb.!

e já agora:
(desculpa Daniela)

FUCK ART - LET'S LOVE

Anónimo disse...

Let`s love – Let`s Art

Let`s love – Let`s Art

não separo nada
já dei
e dou muito
à arte
aos outros
à arte pelos outros
e
aos outros pela arte

não sei parar

que se foda
o que não se fode

Anónimo disse...

e que se foda
o que se fode
para que foder
se possa

isabel disse...

isso dava uma boa letra para uma musica dos ......

Anónimo disse...

Olá Nuno!
Bem,
as interrogações que referes
são as minhas inquietações.

Vamos por partes
quanto a utopias
não entendi a tua perspectiva
parece-te que os portugueses a hiper valorizam?
relativizas a sua importância?
pretendes presentificar o sonho e
tornando a utopia secundária?
é esta a visão?

Quando te interrogas quanto à inexistência da fé no presente
pretendes sublinhar que sem esta não existirá uma construção mais efectiva no presente?

Quanto à critica e ou discurso de possibilidades
partilho da tua visão,
pois
parece-me ser a maior construção a edificar no presente
mas
este só nascerá das criticas
das análises da realidade
sobre a qual e paralelamente se constrói algo

a critica emerge da insatisfação e da vontade de (re)construção
que julgo serem necessárias
à construção de algo no presente
a que tu referes

amigo
quanto à questão da idealização do futuro
não a consigo pensar sem a construção de uma “sociedade harmoniosa
onde os problemas desaparecem” (como dizes)
se não desaparecerem que sejam mínimas porque inimagináveis anteriormente

mas
quando penso num futuro melhor
não o penso em abstracto
penso-o como uma figuração que parte do real
e onde as realidades são outras,
ou de entre as múltiplas que existem
que permaneçam (e se possível) sejam melhoradas as mais positivas
é sonho a mais
se compararmos com o que temos no presente

bem,
mas o que é arte?
não passa por isto,
não nasce disto,
de inquietações,
de insatisfações,
de sonhos,
de visões outras da realidade?

quanto ao passado
e na minha perspectiva
porque distante
este permite-nos analisar e ver as falhas
- o que falhamos, onde falhamos,
o que perdemos, o que ganhamos,
e mais objectivamente
quem perdeu quem ganhou, onde se perdeu e onde se ganhou
tudo em sentido lato ou melhor numa perspectiva alargada
e não restrita como a economicista ou outras –
para que se possa empreender uma construção sustentada sobre o que há
e com o que há.
Não consigo perspectivar algo distante destas coordenadas da realidade
Também creio que não gostasse de viver numa realidade por mim imaginada e por conseguinte - só minha
Vejo-me sempre com os outros
e fascina-me a existência de outros mundos
outras realidades de outras pessoas.

Sempre me pensei limitado para sonhar a totalidade

Bem mas ainda não falei do que me/nos interessa
A identidade

Mas
fica para depois
Até já
maia

Anónimo disse...

Olá Nuno!!
Aqui estou eu novamente
não sei se tiveste tempo para ler
os meus comentários reflexões
sobre e a partir das questões que aqui expuseste

quanto à identidade
a determinada altura
referes a formação cultural e um determinado modo de pensar
portuguesa, «em nós (quem faz parte deste “nós””?»
parece-me ser fundamental reflectir esta soma de questões
no meu parecer
(e embora conheça muitos discursos que menosprezam a importância desta questão,
e refiro-me a muitos assombrados pela questão da identidade nacional,
porque esta constituiu e foi parte integrante do discurso da ditadura
vivida num passado recente)
tem-se revelado nos últimos anos uma questão cuja importância tem merecido um empenhamento por parte de muitos pensadores e investigadores portugueses
(a titulo de exemplo temos as diversas publicações de livros, de teses de doutoramento, das e nas poucas universidades portuguesas que têm reflectido esta questão)
Lembro-me do Eduardo Lourenço, Agostinho da silva, recentemente do sociólogo Boaventura Sousa Santos, José Gil;
Mas se estes têm sistematizado este conhecimento
Outros (criadores das mais diversificadas áreas, a literatura, o cinema com o José Álvaro Morais, Manoel de Oliveira, Pedro Costa, João César Monteiro, João Canijo, João Botelho e a musica ou melhor alguns músicos aportuguese como a Amélia Muge, a Né Ladeiras, fausto, Mário Laginha e Maria João, Anamar, e mais uns poucos)
têm contribuído para a formação de uma identidade cultural
e para a nossa tomada de consciência á cerca desta.

Contudo a visão do Agostinho Silva parece-me a mais certeira
falta pensar e criar “um Portugal aberto”
um Portugal de migrações
um Portugal que sabemos que acolhe o outro,
que por ser difícil a vivência neste espaço territorial
muitos dos portugueses são obrigado, impelidos a emigrar

o Portugal das migrações nunca foi representado
inscrito como o José Gil diz

a nossa sociedade é hoje constituída por
portugueses de Portugal
portugueses de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné, Macau, Timor
portugueses do Brasil
portugueses vindos de leste
portugueses vindos da china
portugueses europeus – pensemos nos seus paraísos algarvios que estes constroem no sul
mas também teremos que pensar nos
Moçambicanos portugueses,
Angolanos portugueses
Cabo Verdeanos portugueses,
Guineenses portugueses, Macau, Timor de
Brasileiros portugueses
europeus portugueses
etc.

temos pensado Portugal
a identidade portuguesa
a cultura portuguesa
excluindo muitos portugueses
uma grande parte de portugueses

e tudo nos tem parecido normal
como se diz natural
natural no que é puramente uma construção cultural
logo não natural

no campo das artes plásticas tem sido um terror
o alheamento desta temática tem caracterizado o panorama
parafraseando o PESSOA
ninguém sabe de que terra é
nem de que terra são
Portugal hoje é nevoeiro

Mas
há ainda a constar a falta de memória do país
do país porque dos portugueses
não há como prática rememorar
e por conseguinte estamos longe de uma construção solida
Do pouco que já foi construído, criado, pensado em torno desta questão
nada ou pouco tem sido repensado, (re)equacionado

meu caro muito há a fazer
e enquanto todos nós estivermos alheados desta questão muito haverá para fazer
fico contente por estar aqui a pensar isto contigo
e a partir destas questões
neste vosso blog já tinha abordado pontualmente estas questões
partindo do trabalho do João Sousa Cardoso e da Daniela Pães Leão

pois ainda
e quanto ás questões da identidade
há a pensar Portugal num mundo da comunicação
do mercado comum
um Portugal que quer ser europeu
esquecendo-se ser português
ou relativizando o que é ser-se português

mas
também um Portugal que quer ser do mundo
e como os outros – os maiores, os da cultura dominante
que construíram uma cultura urbana
amplamente difundida nos meios de comunicação e nas manifestações culturais que visam as massas
há então a pensar em Portugal
para além das massas as minorias

que te parece?
Quando escrevia muitos destes pensamentos
fui pensando em alguns dos teus trabalhos
realizados em Portugal
o “the Face/the Fake”
o das marcas das roupas, etc.
até já
abraço forte
maia