15 agosto 2007

A Reposição

(clicar na imagem, p/ ler programa)
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O cinema em trás-os-montes:
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A REPOSIÇÃO
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Que cinema se fez em Trás-os-Montes e que Trás-os-Montes se fez nesse cinema?
Estes são os dois termos de uma mesma questão e as duas faces de uma mesma imagem, sem frente nem avesso. Responder à pergunta é ler a imagem cinematográfica à transparência da sua construção e à contra-luz do seu devir histórico, à vista de um confronto entre duas representações: uma que se mostra, a outra que se vê. É nessa descoincidência radical, em que se formam e desenvolvem todas as imagens, que é possível perceber a realidade.
Sendo muitos os filmes que têm por objecto ou pano de fundo a região transmontana e acreditando que a restituição dessas imagens, na maioria das vezes tão próximas quanto desconhecidas, ao contexto onde foram realizadas pode contribuir para uma redefinição dos lugares e das representações, A Reposição é um seminário aberto que pretende dar a ver e a discutir, in loco, uma selecção dos diferentes olhares que o cinema português dirigiu a Trás-os-Montes.
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no Auditório da Casa da Cultura em Vimioso
de 30 de Agosto (quinta-feira) a 02 de Setembro (domingo)
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Organização: António Preto, 965775312
Mais informação: AQUI
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2 comentários:

teodolito disse...

9=1

VV disse...

Há quase 30 anos (1979), então ainda estudante, foi-me solicitado pela Eunícia Salgadinho, funcionária do Cineclube do Porto (que conhecia o meu gosto por maquinetas, e que eu sabia operar projectores), para passar uma semana em Vila Flor, Moncorvo e Mirandela, na companhia de António Modesto Navarro, que, no âmbito da Associação do Nordeste Transmontano, organizara uma Mostra de Cinema sobre Trás-os-Montes.
Usávamos máquinas de 16 mm e projectávamos em sítios estranhos, como o Pavilhão do Liceu de Moncorvo (repleto de pessoas encasacadas devido ao frio intenso).
Fui de camioneta de Vila Flor para Moncorvo, transportando a pesada máquina e vestindo uma samarra e luvas emprestadas pelo Tino Navarro, e almoçava sandes e "Carbo-Sidral", que o subsídio da Secretaria de Estado da Cultura não dava para mais...
Com a febre que apanhei, as mãos tremiam-me tanto que deixei cair a lâmpada da máquina, que era transportada à parte justamente para... não partir!.
Foi uma experiência fantástica.
Tive o privilégio de conhecer o pai dos Navarro, antigo ferrador, já bastante idoso.
Lembro-me da presença de Noémia Delgado, e de outro realizador (Fonseca e Costa? não recordo bem...), do crítico Matos Lopes (do DL?), de Tété (a mulher-palhaço) e dos ingleses "One Penny Show", um "circo" de 3 artistas deslocando-se em duas carrinhas adaptadas, que compraram dois fogões a lenha para levar para Inglaterra...
Ou da sessão numa aldeia, em que ninguém entrou no salão sem que, primeiro, o padre o fizesse...
Ou o empregado do café onde tomava o pequeno-almoço, em Vila Flor, que, no filme "Moncorvo", aparecia a jogar a "vermelhinha" num guarda-chuva, durante uma feira...
Recordo o regresso de França, para nos ajudar, de Tino Navarro, irmão do António, e da casa dele, onde fiquei alojado junto com dois outros projeccionistas vindos de Lisboa - também por carolice.
Quero homenagear o Modesto Navarro por aquela iniciativa, e também os promotores desta nova aventura.
E quero igualmente homenagear os transmontanos, em especial os que figuram naqueles filmes: gente firme, correcta, por vezes ingénua, mas sempre hospitaleira.
Parabéns por esta iniciativa.