20 novembro 2007

"Zirkus Maximus"

Se há alguém que sabe fazer uma festa para o portuense, é o Rui Rio, não parece haver duvida.
Há uns anos que os galerista da rua Miguel Bombarda apelavam à câmara municipal do Porto por apoio e este finalmente veio, não conheço bem os meandros, mas os resultados foram evidentes:
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A cavalo dado não se olha o dente
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Dá-se um nome à coisa: "Circuito cultural da rua Miguel Bombarda". A câmara faz parte da divulgação, paga os convites, as bandeiras identificativas das exposições e dá uma mãozinha com o patrocínio do whisky escocês The Famous Grouse para o catering, souvenirs e animação de rua.
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Se o sucesso passa pelo numero de pessoas na rua, ele foi conseguido. Os galeristas e alguns artistas ficaram contentes com o crescente de visitantes, e os visitantes felizes com as distracções que lhe eram dirigidas. Grupos numerosos passearam-se distraídamente por entre personagens vestidos de vasos de flores, molduras gigantes onde se podiam deixar fotografar, tudo isto ao som de uma vermelha banda filarmónica.
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Homogeneização e Feira Popular
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Não há lugar à reflexão neste parque humano, o objecto artístico tomou o lugar do carrossel.
Se por um lado, os galeristas poupam uns trocos com estes patrocínios, por outro perdem identidade. A exemplo: o convite, que por vezes era trabalhado pelo próprio artista e assim integrado na exposição, agora é um clone.
E o que ganha o artista com isso: um souvenir - uma garrafa do whisky escocês com o seu nome no rótulo...
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(...)
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No fim da tarde inaugurou o prémio EDP - novos artistas (imagens em breve), e à noite, depois do inaugural acender de luzes da árvore de natal millenium (uma das mais altas da europa!), a festa continuou, patrocinada, por alguns bares da cidade.
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Ainda assim, a sombra destaca da rua, nos próximos posts, as exposições:
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de Fernando Brito, Confidential report – Deux ans dês vacances,
da dupla Nuno Ramalho & Renato Ferrão, Impreciso,
de Israel Pimenta, Most Things Haven’t Worked Out,
e a de João Marçal e Luís Espinheira.
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(Gostaria de ter visto a exposição de João Alves Marrucho no JUP, mas 3€ pela entrada, parece-me abuso)
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5 comentários:

nuno disse...

quero a minha garrafa!

Anónimo disse...

Este sábado passado foi um estrondo!!!! A peça de SOM da Luísa Cunha na Culturgest foi aniquilada pela música popoular vinda da Avenida dos Aliados, acompanhada pela vibração dos vidros das janelas.E quem vive nesta zona? coitados...não têm sossego. Poerque é que o Rui Rio não vai montar a Barraca para outo lado?
De seguida vai-se à Miguel Bombarda, e lá está a marcha popular...que depressão. Uma criança que cresça ali vai pensar que aquilo é uma festa popular ao Santinho Padroeiro das Artes: ?. E que sorte não é uma festa anual.

Alguém se manifestava contra às Galerias , que não aguentava aquele transito que se cria nestas alturas-alguém lúcido.

E no telejornal apresentado à tarde no dia seguinte, sobre esta palhaçada , uma criança com os seus nove anos diz: " Isto é muito bom, e não só Lisboa que tem coisas boas / bonitas, o Porto também tem!"
...Ai não, Barrismos...já chegava o futebol, agora existe o clube das Artes. o facto é já havia...mas dito por uma criança até dá arrepios.

Gazeta das Terras DEl Rio


É verdade as exposiçãoes, terei de voltarlá novamente

jmsm disse...

olá!
não sei quem é
mas gostei dos seu comentários
é verdade,
este leite está azedo
e termos de o dizer em voz alta
Gerente este leite está azedo!!!!!
abraço e que a FORÇA não nos falhe
maia

Anónimo disse...

Deixem de se armar em snobs e achar que a cultura é só para alguns.A cultura deve ser uma festa, e é isso que está a acontecer, ou preferiam quando estava tudo às moscas? Vão até lá e divirtam-se!

isabel disse...

Boa tarde caro anónimo,

concordo consigo quando diz que a cultura deve ser para todos, claro que sim, discordo quando diz que a cultura é uma festa!
não é uma festa, nem um saco onde tudo cabe: porque há diferenças entre um objecto artístico e uma tenda de farturas ... pelo menos, assim o espero!
o que está acontecer é uma aplicação das regras economicistas onde deveria haver reflexão: como as propostas apresentadas só interessam a alguns, anima-se a coisa de modo a interessar a todos. E temos o resultado: os visitantes que agora pupulam a miguel bombarda vão lá pela festa e não pelas exposições! sim, gostava mais quando estava 'às moscas', pelo menos podia ver as exposições com a calma e tempo que lhes devo ... e se me quiser divertir, tenho um vasto leque de opções destinadas a essa função!