27 julho 2008

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Uma Certa Falta de Coerência
apresenta
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Cinco conversas em torno da experiência Americana
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23 a 31 de Julho 2008
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QUA. 23.07.2008 - 21h30 - André Cepeda
QUI. 24.07.2008 - 21h30 - Mafalda Santos
TER. 29.07.2008 - 21H30 - Jonathan Saldanha
QUA. 30.07.2008 - 21H30 - Eduardo Matos
QUI. 31.07.2008 - 21H30 - Nuno Ramalho
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mais informações AQUI
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Dinis Machado
apresentou hoje, sábado
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Nowhere
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n' a Sala
Rua do Bonjardim, 235 2º, porto
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"Mesa de trabalho, Arteleku, San Sebastian
23\6\2008
Nowhere is that place where two waiting people come occasionally together. There is nothing to run for, so there is space to be surprised. Nowhere happens when we are together in an abstract conversation that turns so concrete that becomes a space. Nowhere is here. Nowhere is now. Nowhere is when you are absolutely free to go. Nowhere you are alone. Nowhere never materializes. Nowhere is a place. An immaterial immanent place. Nowhere could be everywhere."
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16 julho 2008

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Part-ilha is a moment in an ongoing conversation between artists based in Bristol and Portugal supported by the Gulbenkian Foundation. It is also the umbrella title for a series of exhibitions & events by invited Portuguese artists.
These include: a group show in Gallery 2 - A River Ain’t Too Much To Love selected by Isabel Ribeiro, André Romão, Gonçalo Sena; Substance - a programme of films in the Perimeter Space curated by the Portuguese Video Art Archive/Margarida Mendes; an off-site project by Carla Cruz; live performances by Isabel Carvalho and Mauro Cerqueira and an Artists’ Book & Zine Fair which includes the launch of a new publication by Braço de Ferro who will work in residence at new artist led space, Rhys & Hannah Present.

Spike Island - Contemporary Art Center Gallery 2 July 12 - September 14 Bristol, UK

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ficam as imagens da exposição nos posts seguintes
(actualizações para breve, com as performances e restantes projectos)
links:
Spike Island
Part-ilha
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vistas gerais

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renato ferrão

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Renato Ferrão
Mensagem, 2008
briefcase, recipes and elastic bangee
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pedro neves marques

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Pedro Neves Marques
Costa Atlântica Portuguesa (de Caminha-Viana do Castelo ao Cabo de Sagres), 2007
7 HD videos
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pedro barateiro

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Pedro Barateiro
Panorama, 2007
6 photographs
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isabel ribeiro

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Isabel Ribeiro
muddy river, 2007
oil on canvas
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gustavo sumpta

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Gustavo Sumpta
a fome, a vontade de comer e os salvados do navio, 2008
wood and plywood
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gonçalo sena

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Gonçalo Sena
untitled, 2007
Slide projection on mdf structure
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carla filipe

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Carla Filipe
Ao fim ao cabo, o mundo é de todos e não é de ninguem, 2008
artist book on wood and oil drum structure
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andré romão

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André Romão
136 sculptures, 2006
text, overhead projection
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antónio bolota

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António Bolota
untitled, 2008
marble and birch wood
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ana manso

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Ana Manso
untitled, 2008
water based paint, acrylic paint and pigment on wall
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substance

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Este programa foi comissariado pelo PORTUGUESE VIDEO ART ARCHIVE / Margarida Mendes.
Todos os filmes são da cortesia dos artistas, não pertencendo alguns ao espólio do arquivo.
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Substance
programação:

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July Screenings:
11/12/13 - João Penalva - 336 PEK 1998
15/16/17 - João Penalva - White Nightingale 2005
18/19/20 - Francisco Tropa - Giant + Snail 2006
22/23/24 - Francisco Tropa - Giant + Snail 2006
25/26/27 - João Simões - 2001, 2002 2008
29/30/31 - André Guedes - People which have already seen and people which haven't yet seen the Tuol Sleng Museum of Genocide 2005
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August Screenings:
01/02/03 - João Paulo Serafim - Palas Ateneia/Alexander? 2007
05/06/07 - João Tabarra - Ballata del Suicidio, Working class angels for Pasolini 2007
08/09/10 - João Tabarra - Exôdo 2007
12/13/14 - Margarida Garcia - Sleep's Bright Land 2006
15/16/17 - Margarida Garcia - Mary 2006
19/20/21 - André Gonçalves - Sound Studies II for EA 2006

22/23/24 - Pedro Diniz Reis - Braking the beat 2007/2008
26/27/28 - Pedro Henriques - Untilted (ascending movement) 2008
29/30/31 - Mónica Gomes - 5 Pieces of metaphysics 2006
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September Screenings:
02/03/04 - Margarida Mendes - Expanding Universe 2007
05/06/07 - Susana Anágua - AS=A/B 2:M 2005
09/10 - Rui Valério - Imaginary Landscape #5 2007
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Permanent Screening:
Alexandre Estrela - TV Burner, 1 still, endless, 2002
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João Penalva 336 PEK

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04 julho 2008

por Bristol

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... a moment in an ongoing conversation
between artists based in Bristol and Portugal.
It is also the umbrella title for a series of exhibitions & events by invited Portuguese artists.
These include:
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a group show in Gallery 2:
A River Ain’t Too Much To Love
selected by Isabel Ribeiro, André Romão, Gonçalo Sena;
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a programme of films in the Perimeter Space:
Substance
selected by the Portuguese Video Art Archive/Margarida Mendes;
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an off-site project by
Carla Cruz;
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live performances by
Isabel Carvalho and Mauro Cerqueira
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and an Artists’ Book & Zine Fair which includes the launch of a new publication by
Braço de Ferro who will work in residence at new artist led space, Rhys & Hannah Present.
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na
Spike Island
Bristol
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A river ain't too much to love
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com:
Pedro Barateiro,
Antonio Bolota,
Renato Ferrão,
Carla Filipe,
Ana Manso,
Pedro Neves Marques,
Isabel Ribeiro,
André Romao,
Gonçalo Sena e
Gustavo Sumpta.
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com:
Alexandre Estrela,
André Gonçalves,
André Guedes,
Francisco Tropa,
João Paulo Serafim,
João Penalva,
João Simões,
João Tabarra,
Margarida Garcia,
Margarida Mendes,
Mónica Gomes,
Pedro Diniz Reis,
Pedro Henrique,
Rui Valério e
Susana Anágua.
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01 julho 2008

em memória (maio)

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Homenagem a Anthony Mundiaga Ogadje
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João Marçal
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Será mais fácil introduzir esta peculiar aventura no território da pintura esclarecendo o título e a presença dos elementos gráficos do cartaz. Cartaz que se quer autónomo e funcionando como mais uma peça desta exposição.
O design utilizado remete directamente para um poster executado para uma exposição de fotografia do russo Aleksandr Rodchenko em 1987, muito depois da sua morte. Na fotografia central encontramos um homem numa pose casual e decapitado pelo enquadramento, o seu nome é Frank Stella. Por fim, Anthony Mundiaga Ogaje é o nome de um concorrente do Survivor nigeriano que morreu por afogamento no decorrer deste programa.
Rodchenko e Stella são duas figuras paradigmáticas, ligadas a momentos de vanguarda distintos que marcaram efectivamente a concepção que temos das possibilidades da pintura. Se Rodchenko parece ter conseguido resolver os enigmas da pintura e da abstracção num único tríptico de cores puras em 1921 (o que à luz de hoje pode soar como um misto de presunção e ingenuidade), dispersando o seu trabalho noutros sentidos a partir daí; o percurso artístico de Stella parece fazer mais sentido se lido no sentido inverso, uma vez que o seu trabalho mais depurado diz respeito às suas primeiras séries, dos finais dos anos cinquenta até meados de sessenta.
O nigeriano parece descontextualizado no meio destes dois gigantes que, de várias formas, acabaram por modelar a pintura abstracta do século XX. Anthony Ogadje não só é uma vítima dos tempos modernos, como consegue fazer conviver paradoxalmente as condições de sobrevivente e de vítima mortal. Ao tempo da tragédia foram vários o media a publicar a notícia como a "morte do survivor nigeriano". A ligação entre este desventurado acontecimento (criador de uma personagem paradigmática do nosso tempo) e a pintura é obviamente metafórica e parte de uma análise à história da pintura desde a industrialização, um período onde é também evidente uma relação singular entre morte e sobrevivência, num jogo de expectativas e presciências que acaba por traduzir-se numa sofisticada forma de resistência.
Conjugando uma panóplia de referências históricas, autobiográficas e alguma ironia, esta "Homenagem a Anthony Mundiaga Ogadje" reflecte uma possibilidade para a prática e pensamento da pintura neste início de século.
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Alfa Pendular (No land)
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O comboio em movimento é uma das melhores metáforas da relação complexa que estabelecemos com o espaço e o tempo. Ele oferece-nos a possibilidade de escolher entre a imobilidade relativa e o movimento, se passamos pela paisagem ou se a deixamos passar por nós.
Durante as muitas viagens que faço entre o Porto e Santarém, o comboio alfa pendular cruza-se frequentemente com aquele em que circulo; o "encontro" entre os dois comboios acontece a alta velocidade e tem a duração de escassos segundos. Em muitos destes momentos, sinto que a paisagem é substituída pelas linhas horizontais do rápido trem que avança em sentido contrário e que todo o movimento deixa de existir. Dentro e fora da carruagem as linhas de cor solidificam-se e aparecem estáticas perante o meu olhar. Subitamente, encontro-me especado numa sala de exposições a observar uma das pinturas panorâmicas de Keneth Noland.
O subtítulo deste trabalho, No land, cita o nome do pintor americano e remete simultaneamente para um esquecimento da paisagem e de todo o contexto espacial. Um casual instante do quotidiano, com a duração de pouco mais de dois segundos parece congelar e, paradoxalmente, converter-se num momento de contemplação de pura pintura abstracta.
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Auto-retrato (Monocromia)

A abstracção inicia-se na história da pintura pretendendo a simplificação das formas representadas mas, posteriormente, conquista contornos de autonomia que libertam a pintura do peso da representação e da funcionalidade figurativa. Se tentar enquadrar a minha relação com a pintura dentro de algum modelo de abstracção, não são de modo algum as ideias de autonomia e perseguição de pureza que prevalecem. Tomando um caminho inverso, o meu trabalho alimenta-se do conceito de contaminação, possuo um imaginário de signos provenientes da pintura que contagia tudo à minha volta. Sempre mediando a minha experiência do mundo está a minha constante obsessão pelas mais variadas formas, autores e argumentos da história da pintura abstracta. Por exemplo, para mim uma linha, antes de ser horizontal ou vertical, é Noland ou Buren. É no contexto desta fixação que concebo o meu último Auto-retrato. Numa peça de inspiração "ofiliana", o meu corpo toma forma de uma pintura. O meu pólo favorito é transformado numa tela monocromática verde, pousada sobre os Reebok Classic que usei durante alguns anos.

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Batarda
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Dentro do heterogéneo panorama artístico do século XXI, a tarefa de um professor de pintura tende a complicar-se, podendo até passar por antiquada ou obsoleta. Mas nos dias que correm, mais difícil do que ensinar pintura, é fazê-lo bem. Mais difícil ainda é ser-se "O Professor" de pintura.
Este "Professor" é para mim, sem margem para dúvidas Eduardo Batarda. Pelo que percebi (se bem o aprendi), o seu maior truque reside em não insistir em ensinar a pintar, mas no ensino da pintura.Incluir um retrato de Eduardo Batarda nesta exposição, no Museu das Belas Artes do Porto, tem simultaneamente, as intenções de homenagem pessoal e de "site specific". Perante tal responsabilidade as minhas naturais hesitações acabaram por ser resolvidas no formato que aqui apresento, de aspecto bastante simples. Uma pequena "shaped canvas" com uma rápida intervenção de aspecto inacabado, utilizando a cor "light portrait pink" da Liquitex, directamente do tubo. A utilização da cor directa, o formato da tela que foge ao rectangular e o jogo de subjectividade entre o momento de começar e finalizar uma obra, são três exemplos de acções que definem alguns dos paradigmas da pintura moderna que entendi concentrar nesta peça. No entanto, o principal objectivo que persigo neste trabalho é obviar a relação entre o "dentro" e "fora" da pintura. Neste caso particular a representação não acontece no interior da pintura mas definido pela totalidade do objecto-quadro, que representa o perfil de Eduardo Batarda. Aqui, o professor não habita o enquadramento da pintura, é a própria pintura dentro da Faculdade de Belas Artes do Porto.
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No land (Via Blues)

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Raios

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Raios e No land (Via Blues) são instalados no espaço da exposição enquadrando uma peça central de carácter escultórico — Tenda de Sobrevivência (Homenagem a Anthony Mundiaga Ogajje). Procurando definir um contexto espacial, pelos três relâmpagos desenhados num hipotético céu e pela paisagem sugerida através de linhas horizontais paralelas, estas peças vivem a contradição de sublinharem uma condição de ausência. É com alguma ironia que faço aparecer algumas das obras mais conhecidas de Frank Stella e Keneth Noland sobre a escassa superfície destes elementos de madeira. Peças de uma estrutura que sempre se esconde atrás da pintura, cumprindo secretamente a sua função. Muitas destas ripas de madeira (ainda em bruto) preenchem também a "paisagem" do meu atelier, à espera do dia em lhes agrafo um pedaço de tela. Estas conseguiram chegar por si e sem tela às luzes da ribalta.

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Tenda de Sobrevivência (Homenagem a Anthony Mundiaga Ogadje)
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Tenda de Sobrevivência (Homenagem a Anthony Mundiaga Ogadje) faz parte de uma série de trabalhos que gosto de designar como "Monocromias" e, muito sinteticamente, são situações em o conceito pictórico de monocromia é desconstruído e repensado num amplo leque de possibilidades. Neste caso, uma pintura monocromática castanha chega à sala de exposição, é retirada da estrutura de madeira e montada como um pequena tenda de sobrevivência. Assim apresentada ao público, no final da exposição será novamente esticada (conservando inevitavelmente alguns vincos na superfície). Toda esta operação de transformação remete para a relação paradoxal entre a história da pintura e a monocromia, uma vez que, através dela, consegue encontrar num mesmo ponto a eminência de um fim (morte) e um absoluto grau de pureza.O homenageado no subtítulo do trabalho, Anthony Mundiaga Ogadje, foi concorrente do Survivor nigeriano que morreu por afogamento no decorrer deste programa. Anthony Ogadje não só é uma vítima dos tempos modernos, como consegue fazer conviver paradoxalmente as condições de sobrevivente e de vítima mortal. Ao tempo da tragédia foram vários o media a publicar a notícia como a "morte do survivor nigeriano". A ligação entre este desventurado acontecimento (criador de uma personagem paradigmática do nosso tempo) e a pintura é obviamente metafórica e parte de uma análise à história da pintura desde a industrialização, um período onde é também evidente uma relação singular entre morte e sobrevivência, num jogo de expectativas e presciências que acaba por traduzir-se numa sofisticada forma de resistência.
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