Documenta 12
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Desde 1955 que esta exposição acontece na Alemanha, aproximadamente de 5 em 5 anos.
Para esta edição, o director artístico Roger M. Buergel e a curadora Ruth Noack, adaptaram o já comum formato de não-forma, sem tema, supostamente ecléctico - disseminando os diferentes trabalhos de cada artista pela cidade, e nos diferentes edifícios destinados à mostra.
A opção da curadora em evitar as pequenas individuais parece-me faca para dois gumes: por um lado, trabalhos executados no ano corrente apresentam-se lado a lado com outros de outros tempos e outras latitudes - um confronto gerador de ideias e sentidos, únicos a cada observador; por outro lado, perceber o corpo de trabalho de cada artista torna-se uma tarefa exaustiva, similar ao jogo do Wally.
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As obras apresentam-se assim - nuas - sem a protecção do 'corpo de trabalho' e por vezes sem a muleta de uma produção que as apresente nas melhores condições (se há artistas, cujas obras, têm a honra de se apresentarem ladeadas de Rembrandts, outros ficam remetidos à grande 'feira' no pavilhão Aue) – e se há umas, cuja força é independente do meio que as rodeie, outras, pelo contrário, simplesmente desaparecem.
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Apesar de tudo há sempre coisas a descobrir e outras a rever,
Ficam para a memória alguns registos de performances realizadas na década de 70 por Jirí Kovanda: geralmente sem audiência, despojadas e documentadas apenas por algumas fotografias e descrições. As suas acções minimais usam os relacionamentos sociais e individuais quotidianos como um jogo.
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Os títulos das fotografias são as descrições dessas acções, que dão conta das regras desse jogo. Ficam algumas:
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1976, Waiting for someone to call me…
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.(img. roubada por aqui)
1977, On an escalator… turning around, I look into the eyes of the person standing behind me…
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.(img. roubada por aqui).
E ainda os trabalhos de Anatoli Osmolovsky:
A fotografia Majakowski-Osmolovsky de 1993 apresenta-se acompanha por um texto, onde o artista relata a relação que foi criando com a estátua do poeta Vladimir Mayakovsky em Moscovo. Via-a da janela da sua cozinha e falava-lhe diariamente sobre os seus quotidianos na foto, quase parece que Mayakovsky lhe responde num segredo sussurrado ao ouvido. Esta foto é também um registo da performance Voyage of Netsezudik to Brobdingnag, sendo Brobdingnag a terra dos gigantes nas Viagens de Gulliver de Jonathan Swift e Netsezudik o protagonista, "the unnecessary one".
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Mais recente, de 2006, é Hardware. Um conjunto de onze esculturas que, apesar de se apresentarem como série são diferentes umas das outras. Pequenos tanques de dez países esquematizados quase até à abstracção, em bronze polido. Temporalmente remete-nos para um futuro arqueológico: reconhecíveis mas indecifráveis.
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(img. roubada por aqui) Também de 2006, Bread. A base alimentar humana por excelência é aqui apresentada em madeira moldada em efeitos dos testes Rochard.
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Mais três trabalhos, dos quais não vou dizer nada. Eles comunicam numa linguagem de memória intuitiva, e é aí que os deixo:
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.James Coleman – Retake with evidence
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Olga Neuwirth - ...miramondo multiplo...
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Mais sobre esta Documenta de Kassel: aqui e aqui
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