10 abril 2008

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S de Saudade, Diorama da nossa História Natural
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Paulo Mendes
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no
Museu do Neo-Realismo
Vila Franca de Xira
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12 de Abril
Ciclo The Return of the Real # 3
Curadoria: David Santos
até 6 de Julho
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Em “S de Saudade”, projecto reificado a cada exposição, Paulo Mendes recorre sempre a soluções disciplinares mistas, onde a fotografia e a pintura se complementam para questionar o papel das artes plásticas na representação do poder político. Na verdade, que valor iconográfico e de relevância politica podemos hoje retirar dos retratos de Salazar? Segundo o filósofo José Gil, “a invisibilidade constitui o próprio estado de Salazar. Ele é invisível e quer-se como tal. Só raramente se mostra em público e ainda menos em manifestações de massas. A sua pessoa física, a sua presença corporal não se expõem aos olhares […] E este nome, Oliveira Salazar, […] começou a diminuir-se, a encurtar-se, até se engrandecer na sua redução à expressão mais simples, até ficar sintetizado nesta palavra sonora Salazar. Esse nome, com essas letras, quase deixou de pertencer a um homem para significar o estado de espírito dum país…” Ultrapassadas pelo avanço da história, essas representações estão agora armazenadas em esquecidos acervos de museu ou em arquivos de televisão, como adereços ou fragmentos de uma peça fora de cena. Numa sociedade de brandos costumes, este lento apagar da memória corresponde a uma amnésia colectiva. Uma vez mais, a crítica sobre o desvanecimento da memória resulta no trabalho de Paulo Mendes como sentido criativo de uma maior consciencialização política e social, pois manter a invisibilidade do ditador e do Estado Novo – ou erguer paradoxalmente, como hoje muitas vezes acontece, um imaginário acrítico – é uma outra maneira de confirmar a natureza de um povo demasiado passivo e inoperante. Neste sentido, Salazar foi também o resultado do atavismo dos portugueses, a personificação de um país rural, tradicionalista e conservador.

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Conversa com Paulo Mendes

Domingo, 8 de Junho, 16h
(Auditório do MNR)
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1 comentário:

Anónimo disse...

Então as imagens?