29 março 2007

e não dizias nada!!!


parece-me que alguns ainda estão em construção, mas já dá para uma vista de olhos, principalmente nos projectos Non e Alheava:


Manuel Santos Maia e José Maia
e ainda
Non e Alheava

Maia,
benvindo, oficialmente, à blogosfera!

22 março 2007

superstition




imagens da exposiçao 'superstition' de damien hirst, a inaugurar o novo espaço da gagosian gallery em los angeles (peço desculpa pela presença de 'extras' nas fotografias).
nunca fui muito adepto do trabalho deste artista, e nao posso dizer que esta mostra tenha mudado o meu ponto de vista. é como ver um filme do tim burton: estao presentes uma série de elementos de imaginário com os quais aparentemente me identifico com facilidade, mas depois há um processo de plastificaçao ligado ao trabalho em si que nao me seduz, e que de alguma forma vai sabotar uma visao subversiva inscrita na linguagem do realizador.




quanto a hirst, e a estas obras em concreto, os pontos de partida sao muito claros, o que possibilita uma proximidade efectiva com quem quer que seja que entre na galeria para ver os enormes trabalhos (uma escala industrial, meticulosa, tudo muito bem produzido; a atençao ao que é presentemente valorizado é assombrosa). aludir à transitoriedade, à magnificiência (o periodo gótico, a espiritualidade, a luz), ao crepúsculo de uma época ou de uma existência e as formas de lidar com os medos que desperta, enfim, ligar estes trabalhos à transcendência e práctica de uma arte que se afirma no seu prórpio território mas que pelo seu mecanismo espectacular de produçao ou apresentaçao se inscreve no palco do mundo é ainda a motivaçao deste artista.




para mim, este tipo de produçao de beleza/verdade nao funciona. a exploraçao da nostalgia ocidental é menorizada, paradoxalmente, porque tudo é mutio bem feito e 'asséptico' (pintar as paredes de preto nao acresenta mais densidade aos trabalhos). momentos belos, mas nao perigosos, que definitivamente encerram o espectador no seu papel enquanto ditador, alicerçado por uma práctica teórica secular: a regra aqui é contemplar, fazendo cumprir a ideia de que a arte é um àparte que serve para ir descobrindo (ou nao) sintomas 'transcendentes'.

Ângelo Ferreira de Sousa e Carla Cruz

em parceria e a "solo", aqui ficam as imagens e os textos, nos posts seguintes, do que eles andaram a fazer nestas últimas semanas, aqui no Porto.
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(imagens e textos roubados, todos, daqui: Cenitas, de Carla Cruz e daqui: The And, de Ângelo Ferreira de Sousa)

Bomjardim

Nos dias 02 e 03 de Março, Ângelo Ferreira de Sousa e Carla Cruz apresentaram a performance Bomjardim, feita em parceria n'A Sala.
Esta performance pretendeu questionar o público destas apresentações, acostomado à familiaridade dos rostos conhecidos, com um convívio regado a champanhe, em que os protagonistas se fazem representar por dois actores.

"Ângelo" e "Carla"

outro "Ângelo"


Le champanhe...


Lígia "apanhada"!

"Ângelo" e o pai

o "combíbio"

e finalmente: os verdadeiros!

(à frente de duas telas do João Fonte Santa e de uma minha)

One Woman Show

One Woman Show de Carla Cruz,
na Galeria Plumba,
até 07 de Abril.
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"Entre aquilo que é a face de uma galeria de arte – mostrar exposições individuais de artistas, ou colectivas, apresentando regra geral um projecto coerente – e aquilo que é o bastidor está o motor de funcionamento da mesma e do mercado da arte.

No Acervo acumulam-se obras dos diversos artistas que trabalham com a galeria, obras de diferentes anos, meios técnicos, conceitos, percursos que se vão desenvolvendo, obras que nunca serão mostradas a um grande público, que nunca foram expostas.

Após dois anos de existência da Galeria Plumba e da minha colaboração com a mesma tenho 11 trabalhos em acervo vindos de exposições passadas na galeria ou noutros espaços. Que exposição seria essa de uma artista feita apenas com as suas obras em acervo?

Imagine-a: ONE WOMAN SHOW

Na parede lateral esquerda um grande tapete marroquino, em tons de azul, dificilmente lerá: “EUROPEAN DREAM”, pois as letras são recortadas de um outro tapete muito semelhante e cosidas neste. De cada lado estaria uma pequena coluna pelas quais seria transmitido a banda sonora desenhada por Marta Von Óióai para a peça.

De frente à esquerda um televisor ligado a um leitor de DVD passaria as diversas obras em vídeo que fui produzindo. “Cordas” um vídeo documento duma acção nas ruas do Porto em que os transeuntes são convidados a saltar à corda, “Não há memória de paz na Terra” quatro crianças cantam uma lengalenga que se mistura com a realidade dos países em guerra, “Storm” e “Welcome” ambos produzidos e exibidos apenas na Finlândia, o primeiro uma animação sobre o desemprego na Europa e último um vídeo documento de uma acção sobre a imigração ilegal. Ao centro três fotografias que documentam um performance feita no Laboratório das Artes em Guimarães “Maintenance Art – homenagem a Mierle Laderman Ukeles”, em que limpo um circulo no soalho até retirar as várias camadas de lixo, verniz e cera, pondo a nu a madeira. À direita uma série de gravuras - marcas de água de moedas - representando relações entre países.

No tecto colocados em quatro cantos, desenhos que representam uma iconografia actualizada da Europa, Africa, América e Ásia. No chão um grande mosaico feito com tampas de Coca-Cola e água mineral formando uma alegre caveira “Consumidos”.

Do Lado Direito da galeria uma série de fotografias mostram uma construção de género. De um corpo praticamente nu ao ‘rapazinho’. Ao centro desta parede num cabide um T-shirt onde poderá ler, I AM AN ARTIST WHAT! CAN I DO FOR YOU? – acompanhada de uma fotografia tirada aquando da performance, na feira de arte, ARCO, 2006. Segue-se uma caixa de luz, sobre a parede, com uma luz continuamente intermitente, que persiste em tentar iluminar a palavra EUROPA.
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Mas nada disto vai ser visto neste ONE WOMAN SHOW.

Do acervo exaltado apenas se mostra um trabalho meu, feito propositadamente para o acervo e para esta exposição, um desenho que retrata o momento feliz em que entrego ao galerista aquilo que ele gostaria de receber da minha parte no seu acervo, um desenho.

Os acervos que visitei acumulam obras, embaladas ou não, são salas desmultiplicadas em corredores, vãos de escadas apinhados de arte, testemunhos ou não, de exposições passadas e na sua maioria pintura.

Das várias galerias do Porto, a maioria respondeu prontamente ao desafio. Art Hobler, Serpente, Presença, Graça Brandão, Fernando Santos, Sala Maior, Trindade, Minimal, João Lagoa, Símbolo, MCO, Alvarez, 111, Pedro Oliveira, outras não se sentiram em condições de aceitar, como a Por Amor à Arte e a Quadrado Azul: a primeira porque o seu acervo está em local provisório, não correspondendo à imagem que o galerista gostaria de transmitir, a segunda porque o acervo encontra-se mais despido do que o costume, não correspondendo àquilo que é o real acervo desta galeria, visto estar em mudança e da necessidade de contactarem os artistas representados, cuja obra seria reproduzida na fotografia.

Da Galeria São Mamede e da Nazoni, não consegui autorização atempada por parte dos responsáveis para fotografar o acervo. Faltam ainda a Interatrium e a LAB 65, e talvez outras que desconheça, e estas devem-se à falta de coordenação da minha parte para marcar visitas com os responsáveis após alguns desencontros.

A maioria dos acervos não é de fácil acesso ao visitante comum, este só poderá entrar nos bastidores a pedido, ou caso se mostre um potencial cliente, aí será com certeza bem-vindo, pois é neste espaço que se realizam a maior parte das transacções da galeria. Alguns acervos estão dispostos como as wunderkammer, as suas paredes, estantes, armários e paredes móveis preenchidas de alto a baixo com formas coloridas, aqui, os compradores encontraram com certeza algo que lhes encha as medidas, ou melhor, as medidas das suas habitações ou colecções.

O acervo da Plumba é revelado por inteiro ao público, qual Salon de arte Parisiense que atraía multidões para verem aquilo que até ao século XVIII era apenas mostrado em ambientes privados às elites, agora como na altura a acessibilidade é manifesta."

Carla Cruz, 2007
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e ainda, de Carla Cruz:
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A Criação do Mundo

no

Parque da Fundação de Serralves

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um trabalho realizado para o ciclo Transfigurações Efémeras

(mais inf.: aqui).

"A Criação do Mundo, projecto de Carla Cruz, parte da citação do Génesis “… e Fez o Homem à Sua imagem e semelhança” para questionar a noção de cidadania e a participação, activa ou passiva, de cada um de nós na construção da sociedade."

Pode ser visto até ao fim de 2007.

Ser Moderno

Ser Moderno de Ângelo Ferreira de Sousa
no Mad Woman in the Attic
pode ser visto por marcação (917910031 ou mw_intheattic@yahoo.com) até 31 de Março.

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SER MODERNO / alegoria

"No passado futurista, Filippo Tommaso Marinetti, legislador, afirmou: “Um automóvel que ruge, que parece correr debaixo de fogo, é mais belo do que a Vitória de Samotrácia”. (1909) O desdenhoso italiano acabaria os seus dias ao lado do acabado Mussolini, a desdenhada escultura helénica é actualmente uma das estrelas-pop do Museu do Louvre, monumento estrela de Paris, cidade estrela turística do mundo ocidental.

A cadeira Barcelona de Mies van der Rohe, aqui numa imitação portuguesa, contrafeita como tudo, foi desenhada para o pavilhão da Alemanha da Exposição Universal de 1929. Felizmente, o futuro de Mies não coincidia com o futuro de Marinetti, e esta diferença não é negligenciável. Ainda assim, olhando, agora, para esses pretéritos mais-que-perfeitos, modernos, encontramo-los mais imóveis e mais mutilados que a desdenhada “Vitória”.Aqui agora, a cadeira Barcelona transformou-se numa imitação de cadeira de rodas, tuning de inutilidade. A estrela amputada e decapitada do Louvre, modelo de beleza clássica, é fotografada à velocidade da luz por turistas de todos os cantos do mundo. Eu estive aqui.
Que espectáculo é este? Um mundo a preto-e-branco como um filme antigo. A cadeira de rodas observa um potencial ecrã, em projecção. Walter Benjamim teve a intuição da modernidade nas passagens parisienses do século XIX, espaços cobertos de vidro e luz. Aqui agora, estamos numa caverna, projectando sombras, entre postais turísticos encontrados pelo Google, o admirável novo filtro da humanidade.
Quem quer gravar a hora de agora no pulso? E na luz fotográfica."
Ângelo Ferreira de Sousa, 2007

07 março 2007

TILT de Bruno Fonseca da Silva

Até ao fim desta semana ainda podem ver TILT de Bruno Fonseca da Silva, no Projecto Apêndice.
Entretanto, o Projecto Apêndice vai fazer uma pausa nas suas actividades, durante este mês de Março.

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“Não sem ironia, confunde-se o símbolo com o símbolo, um pouco à maneira do átomo bombardeado com outro átomo para o destabilizar. Pois não se trata aqui de uma ideia aditiva, mas a de uma eclosão que possa criar um novo campo gravitacional e assim, nessa nova ordenação transgressora, atrair novos discursos.
(...)

O simulacro é assim alimentado. O que é difícil é a construção de um diálogo com representações que tem por hábito, serem propostas como receptáculos vazios, remetendo o conteúdo para o espectador, na ilusão de estarem a formular um convite á participação. No caso de Bruno Fonseca da Silva não existe essa unidade mínima; esse vazio é justamente o ponto de partida para criar uma narrativa do TILT.”

in TILT - through image, life talks - Rui Azevedo Ribeiro. Olhares de Futuro em Portugal, 2005.
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Centro Comercial Cededofeita, Loja 100
Porto

05 março 2007

MWITA

Até 24 de fevereiro esteve em exposição no Mad woman in the attic uma instalação de Manuel Santos Maia denominada non - essa visão da realidade vale a outra.
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“A visão de aqui. Ora aqui está. Onde pernoitas cansas recuperas e pronto, quando «te vês» é tudo.

(PARA SI PRÓPRIO)

Essa visão da realidade vale a outra, e a outra, e a outra – o espectáculo dos olhos, dos pénis, dos ruídos, substituem o dos campos, se tos negam – (…)”

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Acompanhado destas palavras de Álvaro Lapa, um sótão saturado, repleto de objectos como uma memória materializada,





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da performance non - a ver não há imagens,
na memória:
um escritório em penumbra
uma janela aberta ao horizonte citadino
uma figura ajoelhada, de terço na mão num colchão, no chão
e um murmurar ansioso,
uma mantra saída de um qualquer compêndio de catequese, debitado com urgência
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que soou a grito
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(também aqui)
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entretanto a 10 de Março (sábado) a partir das 16h
inaugura no MWITA:

SER MODERNO
mínimas reflexões sobre a modernidade
de
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01 março 2007

ONE WOMAN SHOW



Carla Cruz

apresenta


One Woman Show

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Sábado, 03 de Março, pelas 16h00
na Galeria Plumba
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...uma exposição sobre acervos (estou curiosa!)
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Galeria Plumba
Rua Adolfo Casais Monteiro, 16 - Porto
14:00/19:00 seg. a sáb.
226 062 176