21 junho 2006

Agenda para 22 junho

Amanhã, 22 de Junho, pelas 19h inaugura mais uma exposição no Projecto Apêndice: Marco Mendes com Domingo todos os dias. Até 06 de Julho.

Projecto Apêndice, Centro Comercial de Cedofeita, rua de Cedofeita - Porto


Lembramos que continua patente até 08 de Julho, Quem tem olho é rei de Renato Ferrão.

na Galeria Quadrado Azul Q2, Rua Miguel Bombarda, nº 553 - Porto


Hipérbole, os ultimos meses

Aparato

Aparato, pormenor

19 junho 2006

Discurso do Desenho ou Desenho do Discurso

Chegou à nossa caixa de correio mais uma resposta ao texto A informalidade como alternativa

Discurso do Desenho ou Desenho do Discurso, de JAP (jovem artista português)


Pormenor

16 junho 2006

Agenda para 16 e 17 de Junho


Gustavo Sumpta vem hoje ao Porto apresentar a performance Não venhas tarde no PessegopráSemana.
Não venhas tarde vem no desenvolvimento da performance apresentada em Março deste ano na Plataforma Revólver, em Lisboa.
Hoje: 22h30
na
Rua Antero de Quental, nº 133


Amanha, sábado, Tânia Bandeira Duarte apresenta Inventário (in the attic) a partir das 16h até às 20h no Mad Woman in the Attic. Esta exposição ficará patente até 8 de Julho por marcação pelo: 917910031 ou mw_intheattic@yahoo.com.

na

Rua Alves Redol, nº 407 - 5º D

Lembramos que continua patente a exposição A chave para a magia, de Carla Filipe, até dia 21 de Junho (quarta-feira) no Projecto Apêndice.

no

Centro Comercial de Cedofeita, lj.100 / Rua de Cedofeita


13 junho 2006

6 Respostas

a
A informalidade como alternativa
de
José Roseira
na revista on-line ArteCapital :

Aqui ninguém derreteu ao sol


Do texto “a informalidade como alternativa”, assinado por José Roseira na revista on-line arte capital e publicado em 06/06/07, venho agora abordar algumas questões não esclarecidas para os autores e proporcionar uma espécie de errata útil aos leitores.
Estando convencido do grande número de leitores que visita esta publicação não poderia deixar de fazê-lo. Polemizar, de resto, não é o meu estilo.

Lembrando-se de colocar como eixo central desse artigo o vector “informalidade”, enquanto direcção de um modo alternativo, os autores não tiveram a lucidez necessária para reparar que o epíteto “alternativo” é ele próprio, uma atribuição muito pouco alternativa. Quer-se dizer com isto que não é apenas um facilitismo conceptual de quem apelida os gestos mas também uma comodidade intelectual para quem discute generalidades estéreis, ao contrário de acontecimentos singulares num panorama cinzento e onde se procura construir horizontes. Esses, sim, com possibilidades estimulantes para pensar.

Estão certos os autores do texto assinado por J. Roseira quando acreditam “que esta definição não pode ser aplicada sobre todas estas iniciativas”. Algumas delas não se fixam num oficioso modo de existir nem num oficial estado de coisas. Já não acertam quando procuram justificar os projectos com o mero estratagema de integração institucional e as linguagens por uma lógica de mercado, como se sugere na última linha do segundo parágrafo.

Confio não errar, com muito mais propriedade no assunto que o(s) desconfiado(s) autor(es), se disser que não foi a promessa de Serralves e a abertura de galerias na rua Miguel Bombarda que constituíram as motivações para o surgir dos projectos em causa (no caso do salão olímpico, posso afirmá-lo definitivamente, dado o meu envolvimento de raiz). Estes são fruto da necessidade comum de abrir uma brecha na nossa área de trabalho (daí sermos maioritariamente antigos alunos de belas artes, mas não só, um dos membros fundadores é formado em economia),do desejo de fazer arte e da vontade de a partilhar, com muitos ou com poucos. Evidentemente, não consideramos nesta matéria a ingenuidade como uma virtude.

Quanto a Serralves, se “olhou e continua a olhar” como se refere, devemo-nos congratular neste ponto com a acuidade visual do museu e a sua operacionalidade vigilante, o que me parece vital para a cidade no seu todo.

No que respeita à dita inscrição no mercado artístico, através de exposições em galerias de arte, a opinião dos autores revela ignorância e ingenuidade no pensar.
Fiquem certos que não seria a ausência de tais propostas a desvincular-nos à arte.

Uma outra inverdade que decorre do discurso publicado tem acento novamente na grave ausência de honestidade intelectual. As iniciativas não visaram preencher (o que já não diria do texto/comentário de J. Roseira) o espaço vazio de um percurso, mas criar as situações e promover a possibilidade de prosseguir no nosso trabalho, o que julgo legítimo; fazer publicidade e participar em cortejos nunca foi nossa ambição e se J. Roseira nunca viu o salão olímpico operar numa lógica “completamente exterior à da instituição” é porque não fez parte do “público (restrito)” que visitou e/ou se envolveu em mostras, acções e intervenções que se proporcionaram. É, pois, o comentário alvo desta errata, desprovido de qualquer rigor e metodologia científica.
É uma pena que para mero exercício de vaidade não se tenha(m), o(s) autor(s), incomodado sequer com uma prospecção pela qual uma entrevista, conversa informal ou simples pedido de esclarecimentos teria constituído um valor inquestionável para a riqueza do artigo a que se propôs escrever.

A cereja neste bolo intragável ganha semelhanças ao postiço nariz de palhaço, pelo cómico que mesmo na desgraça emana...não resisto a chamar a atenção para a ridícula quarta linha do último parágrafo, a qual, apesar de julgar não me merecer comentário, é reveladora dos escrúpulos burgueses de quem tem a ideia brilhante de fazer bazófia com as dificuldades financeiras do outro. Do ponto de vista ético é terrível.

Resta informar que não existe qualquer retrospectiva do salão olímpico agendada, mas tão só a reunião (se se quiser discutível) de artistas que foram afectos ao tempo do projecto como o continuam a ser agora, não tendo, aliás, alguns destes, mostrado ali o seu trabalho, o que não os separa dos restantes. Posso adiantar também que todos os trabalhos a ser mostrados são inéditos. Refiro também que, não balizando rigorosamente um intervalo etário, se pretendeu evitar na selecção pensada uma dissolvência geracional; pelo que os artistas, talvez uns com mais experiências realizadas do que outros ou uma maior/ menor visibilidade mas este também nunca foi critério, como dizia, os artistas têm idades próximas do que seja a média matemática que resultar. Importante foi o conhecimento ao longo de anos de proximidades à obra gradualmente produzida.

Espero sinceramente ter contribuído mais para um entendimento do que para uma confusão.

A nossa congruência , para que fique claro, são valores relacionais, o nosso contrato é a amizade que cultivamos e o nosso método é a participação e não a competição.


Nota: chamo uma especial atenção para o facto de a fraqueza do infotainment assinado por J. Roseira não residir no palavreado mas na preocupante e já vulgar falta de imaginação.

Renato Ferrão
Membro fundador do Salão Olímpico.

A sede de suspeita

Em relação ao artigo "A informalidade como Alternativa" de José Roseira editado a 7/6/2006, onde pretende criar uma trama mal-fundamentada em volta do circuito dos espaços independentes na cidade do Porto, com outras pequenas tramas de fórum privado, é lamentável! O seu ataque afasta-se do pensamento, é emotivo e ingénuo onde é evidente a intenção de um protagonismo da sua parte, tenta roer e destruir todo um conjunto de energias que tem havido na 2º capital do país sendo o único espaço geográfico que conhece, mais grave ainda é a sua limitação temporal que recua até à abertura do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, ele não conhecia a Fundação de Serralves!? Tudo existe só a partir do momento que o José Roseira começou a pensar em ser crítico de arte e a deslocar-se no autocarro 35 (circuito por: Faculdade de Belas-Artes do Porto, Rua Miguel Bombarda e Museu de Serralves).
José Roseira não vê mais longe do que a ponta do nariz, do limite do seu corpo criando uma realidade que é a sua. A sua falta de curiosidade é grave, nunca o vi ter a iniciativa de querer conhecer, ficando no papel de sujeito passivo e o mais curioso é da sua participação, num passado recente, como artista em alguns dos espaços independentes nacidade do Porto.
Todo o seu artigo é tão carente de estudo, insinuador, mal-educado, moralista e naif onde não existe manifestação possível do seu desejo que está sob pressão de outros pequenos seus desejos/interesses, é tão obscuro que torna-se impossível de responder frase a frase, desarma qualquer um!
O texto do José Roseira tem uma ideia de "Amor Perdido" de estilo passional, percebi que a sua tentativa de aproximação ao estilo do Augusto M. Seabra, só que foi um entusiasmo falhado. Mais uns anos de preparação e desejo-lhe toda a sorte do mundo!

Havendo mais textos escritos em resposta ao artigo do José Roseira como o da Isabel Ribeiro, Renato Ferrão, um colectivo, Susana Chiocca entre outros que irão aparecer, vou tentar não repetir-me em pontos que já foram referenciados por estas pessoas que estão bastante explicativos. Quero falar sobre esta suspeita em relação aos espaços independentes e questionar qual é a razão para que o crítico de Arte cada vez menos goste de artes plásticas (das imagens)? Recentemente saiu um pequeno artigo (n/assinado ) "Chiocca no Apêndice" no Local(Norte) do Jornal Público no dia 30/05 num ponto em que se refere à extinção da Caldeira 213 e ao Salão Olímpico dizendo "...agora recuperados pelas galerias e instituições não só da cidade, como também na capital ou de outras localidades, como Guimarães e Coimbra, para onde se anunciam exposições dedicadas a fenómenos com características locais e de difícil sobrevivência fora do contexto original". Em primeiro lugar questiono se a importância destes espaços independentes é de se situarem em locais onde o odor de urina é permanente, de se situarem em espaços com um formato mais caseiro (casas privadas), em caves e todas as outras características necessárias para preencher um desejo romântico de quem procura o underground e um revivalismo das vanguardas artísticas dos anos 60/70! Ou seja o que se apresentou e se apresenta nestes espaços é secundário?! É irrelevante? Que tipo de esquizofrenia e paranóia se anda a criar em redor aos espaços independentes/paralelos e ao circuito do poder económico (Galerias, Museus...)? Que somos uns anarquistas (onde é que se foi buscar esta ideia) que entraram no sistema?! Só a nossa morte de óbito precoce, antes de entrarmos dentro do chamado "circuito" é quenos pode salvar em respeito à seriedade do nosso trabalho?! Eu percebo que exista uma falência e uma confusão de ideias que se caía em paralelismos entre o "puro" e o "medo" sobre os perigos que estão ligados a oportunidades criados pelo poder económico que governa, e de que forma este poderá moldar a forma de agir. A tendência desta avaliação recaí normalmente sobre os artistas que estão na base de uma pirâmide hierárquica (esquecendo-se do resto da pirâmide) sendo o alvo mais fácil pela sua fragilidade dentro do universo dos poderes, mas temos o poder de continuarmos a apresentar trabalho nos tais espaços frágeis "de difícil sobrevivência" podendo continuar a apresentar trabalho com resistência = difícil sobrevivência.
Quem está mais por dentro do sistema sabe perfeitamente que não é por estar numa Galeria ou a um outro tipo de organismo que a nossa vida mudou, que é a altura de repousar, pouco ou nada mudou, continua-se a procurar meios para apresentar trabalho e não é de forma alguma um "capricho burguês"!
Outro ponto que queria reforçar em relação a essa ideia de "estar fora/estar dentro" não é por apresentar trabalho ou haver uma dita programação num espaço independente o torna mais ou menos interessante no seu conteúdo em relação a qualquer estrutura com condições mais próxima a uma realidade de meios de produção. Não é pela ausência ou pela presença do dinheiro que tira a seriedade do trabalho. Falando por mim e pelos os que conheço trabalha-se endividado e fica-se falido.Para acabar gostava de falar sobre a importância destes espaços é muito simples resume-se a apresentar trabalho e ao encontro = energia! Para mim tem sido muito importante estar presente nestes espaços, ver trabalhos apresentados de autores que só desta forma foi possível conhecer, onde estes espaços têm sido a via principal de apresentação do seu trabalho criando um trajecto (fora do atelier). Só não vê quem não quer. A tradição de espaços e de projectos independentes; alternativos; paralelos, etc... não é assídua em Portugal ao contrário de outros países onde há uma normalidade na existência destes espaços. Em Portugal como não existe a abundância, aparecem espaçadamente no tempo, fazendo cair em esquecimento, há uma desconfiança nebulosa e este fenómeno criando-se as tais confusões "de estar-fora /dentro" e se deixarem seduzir...Um Museu de Arte Contemporânea é diferente de outro Museu na sua programação! Que não se compara à forma de agir de uma galeria (que têm estratégias diferentes umas das outras) são mecanismos diferentes! Os espaços independentes é outra coisa mas, nem todos têm a mesma forma de existência ! Que apareçam mais espaços independentes, Museus de arte Contemporânea (para visitar e dar trabalho) para acabar-se com estas desconfianças e multiplicar-se as diferenças entre eles.
Tenho visto bons projectos no Porto, em galerias, no Museu de Serralves, espaços independentes e projectos como o "Trama" e o"Brrrrr" e não estamos contentes com isso?! Existe duas opções o Agir =c riação/imaginação/fazer; e o Não-Agir = nada (está livre de suspeita) e é com isto que temos de lidar.

Carla Filipe
Membro fundador do Salão Olímpico
Membro do Projecto Apêndice

lamentável


É lamentável. É lamentável que alguém possa escrever, com o poder que lhe é conferido ao redigir e expor um texto, sem o menor conhecimento sobre o que aspira inscrever, limitando-se a uma percepção subjectiva e, por conseguinte, destorcida da realidade artística, dos artistas, e em especial de dois espaços alternativos ao sistema comercial e institucional geridos por artistas nomeadamente O Projecto Apêndice e a Sala. No texto “a informalidade como alternativa” publicado na edição on line da ARTECAPITAL (www.artecapital.net) o aspirante a comentador crítico de arte contemporânea, com a sua inexperiência insinua displicentemente (sem referir nomes, datas, lugares) a existência de relações duvidosas, oportunistas entre artistas e os vários agentes do sistema artístico, as instituições e espaços privados comerciais que sustentam o mercado da arte designadas por galerias de arte.

Neste texto José Roseira exclui-se de uma realidade da qual participou e participa como criador (da área do vídeo), como membro de um projecto alternativo (CLAP – Clube de Arte do Porto - com sede em sua casa), como comentador de mostras de amigos que apresentam e ou gerem alguns dos espaços independentes do Porto, (uns referidos, outros omitidos – com que intenção ou objectivo?). Enfim, uma geração à qual pertence, motivo pelo qual a estranheza é maior.

A indignação aumenta se tentarmos perceber como é possível que um aspirante a comentador crítico possa opinar, afirmar e ainda chegar a conclusões tão pouco rigorosas acerca de espaços dos quais desconhece a sua dinâmica, o seu público, sem ter previamente realizado um estudo ou requerido algumas informações junto dos programadores. Poderá um comentário crítico com pretensão à produção de conhecimento, ou apenas informação de uma realidade, ser construído com pareceres subjectivos, parciais opiniões dentro de lógicas imediatas e pouco reflectidas? É estranho ainda, a falta de interesse de José Roseira quanto aos projectos apresentados em O Projecto Apêndice e em a Sala, só compreensível porque chegando atrasado à projecção do trabalho Obrigado pela conversa de Carla Filipe cuja duração rondava os 60 minutos, apenas dispensou 5 ou 10 minutos, no espaço a Sala. Este facto, testemunhado pelo público presente, é revelador do profissionalismo e da atitude de José Roseira perante a criação artística contemporânea.

Pelo exposto questiono-me: poderá José Roseira comentar e informar acerca dos públicos destes dois espaços que desconhece? Espaços estes, que por terem apenas dois e três meses de actividade, os seus públicos se encontram em formação.

Mais informo que Roseira não teve tempo para observar e contactar com o público do projecto do qual sou co-programadora (a Sala) pois facilmente constataria que estavam presentes públicos de outras áreas artísticas para além das artes plásticas como por exemplo, do teatro, da dança, da música, arquitectura, cinema, e outras áreas que não a artística. Este facto é contrário à afirmação e à descrição que faz dos públicos como sendo restritos. Mas se seguisse-mos a sua lógica de leitura facilitista, constataríamos que um projecto que tem como objectivo apresentar artes performativas com criadores de várias áreas da criação (artes plásticas, teatro, dança, música, vídeo, entre outras) tem também como objectivo alargar o seu público a diferentes áreas diversificadas. Quanto a públicos, mais informo que da parte dos programadores nunca houve o interesse em restringir ou como no seu texto está subentendido, excluir ninguém, mas pelo contrário, a inclusão e participação do público é um dos objectivos do projecto como também o de muitas das propostas criativas que aí foram e serão apresentadas.

O desconhecimento da Arte Contemporânea, do seu sistema, dos seus agentes e das relações que estes estabelecem entre si, apresentam-se a Roseira como fantasmagorias que lhe alimentam fantasias, irrealidades sobre a realidade artística contemporânea portuguesa e em especial a realidade dos jovens artistas portuenses.

Ao longo do texto José Roseira levanta suspeitas e alimenta desconfianças. Ao associar o ano de abertura do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, a concentração das Galerias portuenses na Rua Miguel Bombarda com o surgimento dos espaços alternativos ao sistema comercial e institucional; o que pretenderá concretamente dizer?

Mas não dando por terminado esta reflexão e concretizando um pouco mais, (algo que não o faz no seu texto) se tudo se resumisse há existência do mercado de arte (galerias) e às instituições (Museu de Serralves), não estaria a actuação dos jovens artistas prestes a sair ou recentemente saídos do ensino artístico, mais limitado, mais dependentes do mercado e das instituições, como no passado acontecera? Não será esta dinâmica alternativa ao mercado e às instituições vital num momento inicial de construção de um corpo de trabalho dos jovens criadores? E a falta desta não deverá ser encarada como uma falha no sistema artístico nacional?

Informo-o que como criadora que sou, e pertencendo eu a um grupo informal de artistas que têm construído o seu percurso e o seu corpo de trabalho (nos últimos oito anos) tivemos a necessidade de criar e colaborar com espaços como por exemplo Caldeira 213, PÊSSEGOpráSEMANA, Ateliers Mentol, Artmosferas, Maus Hábitos e os posteriores Salão Olímpico (e não apenas Olímpico), O Senhorio, etc e ainda participar nos múltiplos eventos que estes e outras espaços ou grupos promoveram. Todos estes momentos permitiram-nos aprender, experimentar, apresentar e discutir ideias que seria praticamente inexistente se tais estruturas alternativas não existissem.

Quando ao longo do breve texto, num tom mal intencionado, José Roseira refere a dinâmica de alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, informo-o que esta não foi, não é uma realidade generalizada no referido estabelecimento de ensino, mas ela é sim circunscrita a pequenos grupos informais que ao longo dos últimos anos têm terminado a sua formação e antes de a terminarem conhecem a fragilidade do sistema artístico nacional e a pequenez do meio artístico em que estão inseridos. Como é facilmente compreensível este enquadramento sombrio resulta numa acção catalizadora que se traduz em atitudes construtivas e edificantes de uma realidade possível de ser construída por estudantes e jovens artistas.
Informo-o que para ter consciência desta realidade deverá fazer um estudo mais aprofundado dos vários espaços, grupos, acções e eventos ocorridos no Porto desde 1998.

Refutando a sua visão destorcida da actividade destes artistas, dos referidos espaços, relembro a acção dos projectos inter+disciplinar+idades ou pontos de contacto. O primeiro surgido ainda no seio da Faculdade de Belas Artes, permitiu aos alunos de Belas Artes uma aproximação com os artistas emergentes no panorama artístico nacional e a aproximação com as diferentes realidades artísticas para além dos grandes centros como eram Lisboa e Porto. Desde então, o nosso trabalho não se reduz ao contexto artístico portuense subsidiário de um museu, e infelizmente, nem as nossas linguagens são de todo aceites pelo mercado, como afirma. Para que melhor compreenda e conheça a realidade do mercado e das criações apresentadas neste circuito, e para que melhor entenda o que é uma programação alternativa ao mercado, tente responder a esta breve e simples questão: Quais são os espaços comerciais e com que regularidade apresentam criações performativas, instalações sonoras, vídeo, publicações de artistas, criações digitais, murais, site-specific para citar só algumas?
A resposta a esta questão requererá da sua parte um estudo, uma outra atitude diferente da que teve na concepção do seu texto.

Antes de ter redigido o seu texto José Roseira deveria ter conhecido o meio artístico em que se insere toda a discussão, deveria conhecer e saber como é que os artistas (sobre os quais levanta suspeitas) têm vindo a trabalhar. Também deveria saber que cada exposição acontece, quase sempre pelos nossos próprios meios (especificando: trabalhos, flyers, divulgação e por vezes os próprios espaços expositivos como é o caso de O Projecto Apêndice).
Ao contrário do que faz não será de louvar um tal empenhamento? Sim, porque queremos mostrar, queremos fazer, queremos continuar; queremos continuar a mostrar o nosso trabalho como pudermos, como quisermos.

Na perspectiva de José Roseira as relações que os espaços de exibição de obras de arte (Museu de Arte Contemporânea, galerias ou os espaços alternativos) estabelecem entre si são suspeitas, subentendendo-se do seu texto que tais relações não deverão existir. Informo-o novamente que na minha opinião essa é uma falsa questão. Nós quisemos e fomentámos essa aproximação, porque ela é uma mais valia, pois em termos criativos permite-nos um confronto com o outro, o contacto com outras perspectivas outros pontos de vista, enriquece-nos enquanto criadores. Numa realidade artística como é a portuguesa, facilmente compreende que é uma mais valia discutir e implicar os mais variados artistas, programadores, ou outros agentes do sistema para que haja maior dinâmica e para que possam crescer diferentes concepções, criações e visões.
Longe da suposta “sedução” que diz existir, existe sim, uma abertura. Ao contrário do que afirmam as suas destrutivas palavras, no Salão Olímpico existiram possibilidades de mostra de criações de artistas que não encontram tantos espaços para mostrar o seu trabalho se atendermos ao ritmo da necessidade da sua criação. O reconhecimento da importância que teve o Salão Olímpico no seio da comunidade artística foi muito reduzida se conhecermos as obras que aí foram apresentadas, o número de artistas que aí puderam trabalhar e partilhar a sua obra, se conhecermos a heterogeneidade de públicos que a esse espaço confluíam. Mais uma vez se tivesse feito o estudo quanto ao Salão Olímpico certamente iria verificar que este, ao contrário do que afirma, não teve o reconhecimento por parte dos comentadores críticos e demais agentes. Infelizmente e ao contrário do que deveria ter acontecido o caso do Museu de Serralves foi algo pontual. Se este não o tivesse feito não seria questionável? Não deveríamos assinalar essa falha? Se em vez de olhar a sombra (de que parece ter medo) e olhar o corpo, não conhecerá melhor a realidade?
Creio que num texto com ambições de dar conta de uma realidade artística de oito anos, lhe deverá ser exigido um conhecimento mais aprofundado. Mas se quiser esconder esta lacuna atrás de um texto cujo objectivo é o de emitir uma opinião, não deixa de ser lamentável que o faça sem o rigor que é exigido numa profissão como a de comentador crítico. Será possível ter uma atitude intelectualmente desonesta como a que teve na redacção do texto ao levantar suspeitas, criar abstracções e ficções que estão longe da realidade que vivemos?

Susana Chiocca
Membro de a Sala



Pos-scriptum

Creio que este meu comentário exige uma resposta e, como tal uma revisão do que José Roseira escreveu. Como tal, coloco as últimas questões:

Porque não se referem exemplos concretos, em vez de apenas alusões?
Porque não se especifica quais os artistas que são pagos, e quais ligações que se têm estabelecido entre o museu e os artistas?

Como define e quais os parâmetros de aceitação do mercado relativamente às nossas criações? Precise os artistas e as galerias?

De que forma é que a programação das instituições definidas pelos seus decisores institucionais implicam a programação de a Sala e de O Projecto Apêndice?

Esclareço-o que o público de a Sala em geral, foi mais curioso que José Roseira, em informar-se junto dos programadores do referido projecto sobre os objectivos e programação. Se José Roseira tivesse feito o mesmo certamente saberia que os dois projectos foram concebidos na mesma altura, e que a sua programação não é comum - O Projecto Apêndice não tem como “dominância” a apresentação de trabalhos performativos.


Moralina (*)

Desconfio de quem quer traçar um fio vermelho sempre demasiado evidente na sua tradução. Traz o preconceito de induzir um proveito sempre na ponta. Mais do que isso, sente possuir uma lúcidez de um método funcional para o movimento: assim se desloca por aparente interesse. No texto “A informalidade como alternativa” de José Roseira (07.06.2006 www.artecapital.net) Existe numa dedução, e digo dedução porque é exactamente uma falta de conhecimento e preguiça no seu procurar, que o leva a apoiar todo o texto numa geografia dedutiva. São acusações graves e outras muito graves que não podem permanecer suspensas pelo seu carácter de enorme aberração que constituem. Até pela facilidade que lhe é prestado qualquer esclarecimento, não se percebe a vontade de desinformar o público da artecapital com estes atabalhoamentos especulativos.

Numa lógica que pretende identificar o surgimento de espaços expositivos que se criaram recentemente no Porto (a Sala) e (O Apêndice); José Roseira acha que estes espaços se adequam à simples - “montra de publicitação de novos nomes e trabalhos”. Adianta ainda que os dinamizadores desses espaços “têm já uma relação com o mercado e as suas criações jogam com as linguagens aceites por este” e que “espaços como a Caldeira 213, o Olímpico e o PÊSSEGOpráSEMANA, dada a sua informalidade e descomprometimento institucional, acabaram por servir como laboratório e ponto de encontro e discussão para uma geração de artistas que agora emerge no mercado”. É necessário repôr alguma sobriedade. Começando pela última afirmação, os espaços referidos não se deram ao utilitarismo do encontro e da discussão, antes, criaram o encontro e a discussão. Eles foram sim, e ainda o é no caso do PÊSSEGOpráSEMANA, espaços de experimentação. Porque estes não existiam e continuam escassos. E dizer isto, não é de forma alguma um lugar comum como José Roseira afirma no seu texto. Para exemplificar, basta referir alguns acontecimentos como a palestra organizada por José Maia no Salão Olímpico com o tema Conversas de Café em 08.04.2004; ou trabalhos como Xoxota Bombísta de João Sousa Cardoso apresentado por António Preto (02.07.2003); o ciclo de cinema de Jean Ralske integrada na segunda edição do Quartel - Arte Trabalho e Revolução (11.06.2004); o projecto The End of a Love Affair de João Fiadeiro, Pedro Costa e Gustavo Sumpta (10.05.2004). Todos estes projectos primaram pela criação de um momento para a discussão entre os respectivos autores e público de diversas áreas, bem como das condições de criação nacional.

Sobre as outras duas especulações, é verdade que alguns dos dinamizadores destes novos espaços têm um vínculo galerístico, mas não quero crêr que com isso insinue haver uma maior legitimação ou uma espécie de nobreza se não o tivessem. Até porque, estes artistas nunca se inibiram de expôr a sua obra e quando José Roseira refere a aceitação pelo mercado, seria interessante que esse mercado fosse explicado no seu verdadeiro ciclo e profundidade. O que entende por aceitação? Expôr os seus trabalhos?, vender?, existe procura dos trabalhos destes artistas?, estes artistas vendem e subsistem com o seu trabalho? Sabemos que não é assim que as coisas acontecem, as galerias como agentes intermediários que são, oferecem pouco e para os artistas visados no texto de Roseira uma exposição de dois em dois anos, na melhor das hipóteses, continua a ser manifestamente pouco, até porque só querem fazer arte, e viver disso; o que é de todo legitimo. E mais uma vez optaram por criar soluções, não por um propósito de animação cultural como é referido mas porque de facto, não se inibem de lutar contra um tempo – o seu tempo. Aqui e agora!... Em vez de uma laboração com apresentações bianuais. Pelo exposto entende-se uma urgência, o que também não é um lugar comum, como está escrito pelo desinformado comentador José Roseira.

Mas tudo o que tentei esclarecer até agora, dizia respeito acerca das deduções graves por parte de José Roseira. Muito mais grave é afirmar o seguinte: “Confiamos não errar se dissermos que estes projectos começaram a nascer na cidade do Porto com a promessa de Serralves e a abertura das galerias na Rua Miguel Bombarda” Quando li esta afirmação fiquei confuso, quer pelo uso do plural quer pela certeza do autor não estar a errar, visto estar num processo de dedução (ou como se diz no Porto: bitaites). E aqui, não sem um pequeno exercício de imaginação, pensei num ditador a citar um filósofo da Grécia antiga. Foi assim que ultrapassei este obstáculo inicial, retendo-me apenas, na gravidade da afirmação, o que também é uma contradição, quando no início do texto afirma, que os dinamizadores destes novos espaços “têm já uma relação com o mercado e as suas criações jogam com as linguagens aceites por este”. Nesta afirmação José Roseira nem se deu ao trabalho (algo tão simples), de questionar se os artistas já estão representados por galerias, porque continuam a fazer o que fazem?

Como avalia José Roseira, os artistas que tendo já representantes no mercado, continuam a criar mecanismos de exibição do seu trabalho? Ou ainda, aqueles que não se importam de mostrá-lo em condições frágeis como cafés, montras, salas ou arrecadações? Como avalia também o esforço que estes fazem na divulgação própria, com flyer’s, cartazes, correio electrônico, e tudo o que uma situação económica de poucos recursos permite?

Como José Roseira não se informou juntos a estes dinamizadores, tem uma certeza por confiança, de se tratar de uma estratégia para entrar em galerias e da existência de uma “ promessa” do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Estando especulada esta situação, o que acontecerá se um dia um deste artistas realmente vier a apresentar o seu trabalho no Museu de arte contemporânea de Serralves? Será que José Roseira rebentará de vaidade na sua previsão?

Quanto aos dois últimos parágrafos do texto de José Roseira, e que me afecta particularmente como membro fundador do Salão Olímpico, neles existe toda uma insinuação que recai sobre uma suposta retrospectiva do Salão Olímpico, num suposto movimento de sedução modelador de uma geração. Daqui, é exigida a José Roseira toda a responsbilidade na informação falaz que presta. E questiono-me sobre se tal falta de rigor, contribui para algo mais do que uma intenção trepadeira.

Grave e de mau gosto, é o facto de José Roseira utilizar a frágil situação económica dos artistas, tendo estes que trabalhar como vigilantes, recepcionistas, assistentes de montagens ou guias pertencentes ao serviço educativo do Museu de Serralves, para assim, constituírem o seu rendimento. Como poderão estes dinamizadores estarem sujeitos a um metralhar de José Roseira, que nitidamente quer fazer recair suspeitas de estratégias e de competições, em relações que se estabeleceram na presença e no valor de inúmeras acções.

Rui Ribeiro
Membro fundador do Salão Olímpico



(*) “Segundo Nietzsche a «moralina» é uma secreção frequente naqueles que têm a certeza de denegar a verdade e que não tem qualquer escrúpulo em impô-la a todos. Sentido etimológico: o de um pensamento desviante e curiosamente totalitário.”

Op. Cit Michel Maffesoli

Venho desta forma, eu, Antonio lago

Venho desta forma, eu, Antonio lago, solicitar ao autor do artigo A Informalidade como Alternativa de José Roseira, os seguintes esclarecimentos:

- Quais os projectos que nasceram com a promessa de Serralves, para serem vistos por Serralves, que contestam Serralves com deferência e o seduzem;

-Para quem o museu olha e paga.

Fique esclarecido da parte do projecto a sala de que José Roseira não fez nenhum trabalho de pesquisa prévio com os seus autores. E a Sala do apartamento de Susana Chiocca que partilha tanto a casa como a gestão do projecto com António Lago não estava correcta e, conforme prestei a informação, o apartamento é de António Lago com quem Susana Chiocca partilha o apartamento como a gestão do projecto. Mas esta seria uma questão insignificante, mas que menciono apenas pelo facto de ter sido a única questão levantada, insisto, única questão que José Roseira colocou e retifiquei, mas optou por não corrigir e manter a informação errada. Passando à frente o meu desinteresse sobre em nome de quem está o apartamento, informo o autor do artigo José Roseira de que não estou na arte para chegar aos sítios e de que as pessoas que comigo colaboram o fazem não para chegar a outro sítio mas por identificação com os meus projectos.

Quanto à caracterização do público de a Sala mais o informo (e poderia ter a constatação na sua breve e única presença de cinco minutos em a Sala) de que nesta se tem encontrado pessoas provenientes de diferentes áreas artísticas e a estas mesmas exteriores a elas também.

Quanto ao facto de José Roseira afirmar que os espaços e projectos que animam e apresentam criações cujas linguagens são aceites pelas instituiçoes e espaços comerciais e como tal ser despropositado aplicar o termo de alternativo parece-me destituído de capacidade de compreensão quanto à criação artística contemporânea, pois esta, não conhece um estilo, uma linguagem ou estética, uma temática única, mas uma pluralidade. Esta ausência de conhecimento e de incapacidade de informação levam-me a questionar a sua colaboração nesta publicação, que se deve caracterizar pelo rigor e edonidade.

Sem outro assunto de momento me despeço.

Obrigado pela atenção

António Lago,
Membro de a Sala

07 junho 2006

Uma opção entre duas ou mais possibilidades


As possibilidades criativas do indivíduo contemporâneo passam por uma experiência própria resultante do seu lugar político, ou seja das suas escolhas ou selecções.
Esse lugar não é estanque, está em continua transformação, é moldado pelas necessidades e contingências, mas principalmente pela vontade.
Nos últimos anos no Porto, um conjunto de jovens artistas sentiram necessidade de criar espaços informais auto-suficientes, onde possam apresentar e debater as suas inquietações a quem tiver interesse em as pensar.
Estes espaços não vieram ocupar um lugar vazio, eles criaram esse lugar desde a raiz no panorama artístico portuense, ao transformarem a vontade de criar e a necessidade de ver em acção.
Apesar de se terem criado relações com um exterior, o lugar destes artistas não se deslocou para a galeria ou para a instituição, eles continuam a agir nestes espaços, que devido á sua natureza frágil por vezes se extinguem, mas a vontade fá-los renascer noutro lugar, não muito longe.
Nem sempre estas acções desencadeiam outras acções, muitas vezes a resposta é a reacção.
Se por um lado a sedução acaba muitas vezes em desilusão, por outro, valores negativos como o fracasso, o escândalo ou o ressabiamento acabam por funcionar como factores positivos, já que impedem as acções de mergulhar no silêncio ou na monotonia quotidiana.
Nesta teia de relações artísticas (como em qualquer outra – mais contratual ou mais afectiva) a tónica é volátil e há que ter em atenção que “na exposição de certezas o mais certo é mostrar fragilidades”*.

* do texto O imprevisto de Rui Ribeiro para o livro Matéria Instável de Nuno Ramalho.

Isabel Ribeiro

Membro Fundador do Salão Olímpico e Membro do Projecto Apêndice